Resumo
Este artigo inaugura uma série de análises técnicas destinadas a oferecer ao leitor elementos objetivos de discernimento para a escolha eleitoral nas eleições brasileiras de 2026. O propósito não é recomendar candidatura ou partido, mas examinar propostas, valores, públicos beneficiários, orientação ideológica e concepção de Estado. O primeiro estudo concentra-se no Partido Avante e em seu candidato à Presidência da República, Augusto Cury. A análise utiliza como referência metodológica a classificação ideológica proposta por Dias, Menezes e Ferreira, especialmente a distinção entre valores associados à esquerda e à direita e a identificação dos públicos-alvo das proposições legislativas. Consideram-se ainda desigualdades econômicas, raciais e de gênero, meio ambiente, trabalho, empreendedorismo, relações internacionais, democracia e organização institucional do Estado.
1. Introdução: votar não é apenas escolher um governo
Em uma democracia constitucional, o voto não deveria ser compreendido apenas como manifestação de preferência pessoal por determinado candidato. Ele representa uma decisão sobre que projeto de sociedade, de economia, de instituições e de desenvolvimento nacional o eleitor considera mais adequado.
Por isso, uma eleição presidencial não deveria ser reduzida à pergunta "quem será o próximo presidente?", mas ampliada para questões mais profundas: que Estado queremos construir? Qual deve ser a relação entre Estado e mercado? Que papel terão educação, saúde, ciência, tecnologia e proteção social? Como enfrentar desigualdades históricas? Qual será a posição do Brasil no sistema internacional? Como preservar a democracia e as instituições?
A própria metodologia da bibliografia utilizada como referência neste estudo demonstra a importância de analisar a atividade política para além do discurso. Dias, Menezes e Ferreira propõem observar os valores efetivamente presentes nas proposições e identificar seus públicos-alvo, distinguindo entre universal, segmentos específicos, capital e trabalho.
Essa perspectiva é especialmente importante porque um candidato pode apresentar um discurso situado em determinada posição ideológica, enquanto suas propostas concretas apontam para outra direção.
Este é, portanto, o primeiro artigo de uma série, dedicada inicialmente aos partidos e candidaturas que ocupam posições de destaque no cenário eleitoral. Começamos pelo Avante e por Augusto Cury.
2. Uma ressalva metodológica indispensável: candidato não é parlamentar
Há uma questão técnica importante antes de analisar números. Augusto Cury não possui trajetória legislativa anterior. Ele estreia eleitoralmente em 2026 como candidato à Presidência pelo Avante. Portanto, não é metodologicamente correto atribuir-lhe projetos de lei apresentados ou aprovados anteriormente. A Agência Brasil confirma que esta é sua primeira disputa eleitoral e que sua candidatura pelo Avante foi oficializada em agosto de 2026. (Agência Brasil)
Registro objetivo
| Indicador | Augusto Cury |
|---|---|
| Projetos de lei apresentados pessoalmente antes da candidatura | 0 |
| Projetos de lei aprovados de sua autoria | 0 |
| Experiência parlamentar anterior | Não possui |
| Experiência executiva anterior | Não possui |
| Programa de governo apresentado | Sim |
| Candidatura presidencial 2026 | Avante - n° 70 |
A ficha eleitoral registra Cury como candidato a presidente pelo Avante, número 70, em sua estreia na política eleitoral. (Folha de S.Paulo). Consequentemente, a avaliação de sua candidatura não pode ser baseada em "realizações legislativas", mas deve ser feita sobre seu programa de governo, declarações públicas, trajetória profissional, concepção institucional e propostas apresentadas durante a campanha.
Quanto ao AVANTE, a situação é diferente: trata-se de um partido com representação parlamentar. Portanto, existe produção legislativa de seus deputados, mas seria metodologicamente inadequado somar automaticamente todas as proposições de parlamentares do partido e atribuí-las a Cury. O partido possui atualmente atuação parlamentar registrada na Câmara dos Deputados.
3. O Avante e sua posição no espectro político
O Avante é um partido relativamente recente em sua atual denominação, embora tenha origem no antigo Partido Trabalhista do Brasil. A Agência Brasil o caracteriza como uma legenda de centro, e o próprio TSE mantém o partido entre as legendas registradas. (Agência do Brasil)
Entretanto, uma classificação ideológica rigorosa não deve depender apenas da autodefinição partidária. A metodologia presente na bibliografia deste artigo propõe uma escala de cinco posições:
esquerda → centro-esquerda → centro → centro-direita → direita.
O estudo considera a incidência relativa de valores associados à esquerda e à direita nas proposições, admitindo que uma mesma proposta possa conter simultaneamente elementos dos dois campos. Aplicando adaptativamente esse critério ao programa de Cury e deixando claro que não se trata da reprodução estatística do estudo original podemos formular a seguinte hipótese: Avante/Cury: centro, com elementos de centro-direita na economia e na organização institucional, combinados com políticas sociais e ambientais de caráter universalista. Essa classificação deve ser entendida como analítica e provisória, e não como uma verdade absoluta sobre o partido.
4. O perfil econômico: empreendedorismo, mercado e responsabilidade fiscal
Um dos aspectos mais marcantes do programa de Augusto Cury é a associação entre redução da pobreza, empreendedorismo, geração de renda, inovação e inclusão produtiva.
O programa prevê uma rede nacional de escolas de empreendedorismo, crédito para pequenos empreendedores, microempresas e startups, além de iniciativas voltadas à agricultura familiar, cooperativismo e desenvolvimento regional. (SBT News)
Essa orientação possui forte aproximação com valores classificados metodologicamente no campo da direita econômica, sobretudo: empreendedorismo; iniciativa privada; propriedade; produtividade; inovação; crédito; capital privado; concessões e PPPs; responsabilidade fiscal.
Ao mesmo tempo, o programa não abandona a dimensão social. Ele propõe mecanismos de transferência de renda, moradia, segurança alimentar, agricultura familiar, cooperativismo e inclusão produtiva. (SBT News)
Portanto, seria simplificador classificá-lo simplesmente como "liberal" ou "de direita". Uma formulação mais precisa seria: Uma proposta de economia de mercado com forte ênfase no empreendedorismo e na produtividade, combinada a políticas de inclusão social e geração de oportunidades. Essa característica aproxima a candidatura de um centro econômico pragmático com elementos de centro-direita.
5. Pobreza e desigualdade: igualdade de resultados ou igualdade de oportunidades?
Aqui encontramos uma das questões mais relevantes para o discernimento eleitoral. A metodologia aqui escolhida associa a esquerda a valores como sociedade, coletivismo, igualdade, redistribuição de renda, trabalho e estatização, enquanto associa a direita a economia, individualismo, liberdade, capitalismo, propriedade privada, capital, lucro e privatização. A proposta de Cury parece privilegedar principalmente a igualdade de oportunidades, mediante: educação; empreendedorismo; crédito; qualificação; inclusão produtiva; geração de empregos e inovação.
Isso é diferente de uma concepção centrada primordialmente em redistribuição direta de riqueza. O programa, por exemplo, defende a manutenção do Bolsa Família, mas associado a mecanismos de transição para emprego formal e empreendedorismo. (SBT News)
Avaliação técnica
Ponto positivo: procura articular proteção social e autonomia econômica.
Questão a ser observada pelo eleitor: até que ponto empreendedorismo e inclusão produtiva conseguem enfrentar desigualdades estruturais que não decorrem apenas da falta de iniciativa individual? Essa é uma pergunta particularmente importante quando se consideram desigualdades históricas de classe, raça, território e gênero.
6. Desigualdade racial
Neste aspecto, a análise exige cautela. Não seria tecnicamente correto afirmar que a candidatura ignora completamente a questão racial apenas porque não apresenta a mesma centralidade discursiva encontrada em candidaturas explicitamente orientadas para políticas de igualdade racial. Por outro lado, o eixo racial não aparece como elemento estruturante da identidade econômica do programa, pelo menos nas sínteses públicas consultadas.
Isso constitui uma questão relevante para o eleitor. Um projeto nacional de desenvolvimento precisa responder não apenas: "Como aumentar a riqueza?", mas também: "Como garantir que os ganhos de produtividade, renda, educação e patrimônio alcancem grupos historicamente prejudicados pela estrutura social brasileira?"
A metodologia utilizada na bibliografia deste artigo alerta justamente para a importância de identificar quem é o público efetivamente beneficiado pelas políticas, distinguindo entre universalização e segmentos específicos.
7. Mulheres, gênero e violência
Aqui o programa apresenta uma agenda mais explícita. Cury dedica uma seção específica à proteção das mulheres e propõe medidas relacionadas à violência e ao feminicídio. A documentação analisada identifica uma política pública específica de proteção às mulheres. (Agência Patrícia Galvão). Durante a campanha, também apresentou propostas envolvendo tecnologia, aplicativos e drones para aumentar a velocidade de resposta diante de situações de violência contra mulheres. (Folha de São Paulo)
Esse conjunto pode ser considerado pós-materialista segundo os critérios da bibliografia escolhida, uma vez que relações de gênero, inclusão, participação e direitos de grupos específicos estão entre os valores associados a esse eixo.
Contudo, há uma questão crítica: Tecnologia pode ampliar a capacidade estatal de proteção, mas não substitui políticas educacionais, culturais, jurídicas, econômicas e preventivas destinadas à superação das estruturas que produzem a violência de gênero.
8. Educação e saúde mental: o núcleo distintivo da candidatura
Provavelmente um dos elementos mais característicos da candidatura é a centralidade conferida à educação, saúde mental e desenvolvimento emocional. O candidato propõe programas de prevenção de ansiedade, depressão, automutilação, bullying e violência escolar, além de iniciativas relacionadas à formação de professores, empreendedorismo e inovação educacional.
Na saúde, seu programa inclui ampliação da telemedicina, fortalecimento da atenção primária, prevenção, saúde mental e diagnóstico precoce. (SBT News) Esse é um campo no qual Cury procura transformar seu capital profissional e intelectual em capital político.
Entretanto, para uma avaliação acadêmica, deve-se separar: trajetória profissional → proposta política → evidência de eficácia da política pública. O fato de alguém possuir experiência em determinada área não demonstra automaticamente que sua proposta será eficaz em escala nacional.
9. Meio ambiente: tecnologia, mercado e proteção ecológica
O programa apresenta uma dimensão ambiental significativa.
Entre as propostas estão:
- combate a incêndios mediante satélites, IA e drones;
- monitoramento ambiental;
- bioeconomia amazônica;
- microcrédito para atividades sustentáveis;
- mercado de carbono; incentivo à preservação;
- expansão da matriz energética limpa.
O plano estabelece inclusive a meta de uma matriz energética com 90% de fontes limpas até 2040. (Eleições Presidenciais 2026)
Há aqui uma combinação interessante: preservação ambiental + tecnologia + mercado de carbono + geração de renda. Isso não corresponde a uma visão ambiental exclusivamente estatizante nem exclusivamente conservacionista. Trata-se de uma tentativa de conciliar economia, inovação e sustentabilidade.
10. Relações internacionais e soberania nacional
Este será um dos pontos que merece acompanhamento especial. O programa apresenta uma política externa descrita como ativa, equilibrada e pragmática, com defesa dos interesses nacionais e ampliação da influência brasileira nos fóruns internacionais. (Poly Apoio)
Cury também defende a modernização das embaixadas e uma diplomacia mais voltada à comunicação econômica, tecnológica e ambiental do Brasil. Em declaração pública, chegou a defender maior utilização de profissionais capacitados para comunicação digital e influenciadores em determinados contextos de promoção internacional do país. (Rádio Itatiaia)
Assim, se pode discernir potencialmente duas leituras. Leitura favorável: modernizar a diplomacia para a economia digital, utilizando novas formas de comunicação internacional. Leitura crítica: é necessário preservar a profissionalização, continuidade institucional e capacidade técnica do serviço diplomático brasileiro.
O programa também prevê relações estratégicas com diferentes países, inclusive China e Israel, em áreas tecnológicas e produtivas. (Folha de São Paulo) Isso sugere uma postura pragmática e não rigidamente alinhada a um único bloco geopolítico.
11. Reforma do Estado e semipresidencialismo
Talvez uma das propostas de maior impacto estrutural seja a defesa da transição para o semipresidencialismo. Cury afirma que o presidente deveria concentrar funções estratégicas, enquanto um primeiro-ministro assumiria a condução cotidiana do governo. A proposta foi apresentada oficialmente durante a convenção do Avante. (Agência do Brasil)
Também defende mudanças no STF, incluindo mandatos fixos para ministros. Essas propostas não são meramente administrativas. Elas alterariam significativamente o funcionamento da República. Por isso, o eleitor deveria perguntar:
- Qual seria o modelo constitucional concreto?
- Como seria escolhido o primeiro-ministro?
- Qual seria o poder do presidente?
- Como funcionaria a relação Executivo–Congresso?
- Como seriam evitadas crises de governabilidade?
- Quais seriam os mecanismos de controle democrático?
Quanto maior a transformação institucional proposta, maior deve ser o nível de detalhamento exigido pelo eleitor.
12. A quem serve o programa?
Aplicando o modelo da bibliografia escolhida, podemos elaborar uma matriz preliminar:
| Área | Público predominante | Tendência |
|---|---|---|
| Empreendedorismo | Pequenos empresários, jovens, trabalhadores | Capital + trabalho |
| Crédito | Micro e pequenos empreendedores | Capital produtivo |
| Educação | Público universal | Universal |
| Saúde | População geral | Universal |
| Saúde mental | População geral, estudantes | Universal |
| Mulheres | Mulheres vítimas de violência | Segmento específico |
| Agricultura | Agricultores familiares | Segmento/trabalho |
| Amazônia | Ribeirinhos e comunidades locais | Segmento específico |
| Meio ambiente | Sociedade geral + agentes econômicos | Universal + capital |
| Tecnologia | Empresas, trabalhadores e Estado | Misto |
| Segurança | População geral + forças policiais | Universal + setor específico |
| Diplomacia | Estado brasileiro e setores produtivos | Universal + capital |
A metodologia utilizada para o estudo realizado explica que o público universal corresponde a destinatários amplos, enquanto segmentos específicos podem indicar tanto representação legítima de grupos quanto eventual orientação clientelista sendo necessária análise do conteúdo concreto para diferenciá-los.
13. Afinal, esquerda, centro ou direita?
Considerando exclusivamente o programa apresentado e não uma trajetória legislativa inexistente, nossa classificação técnica preliminar seria:
AVANTE/AUGUSTO CURY: CENTRO, com inclinação de centro-direita na economia e elementos sociais/pós-materialistas relevantes.
| Elementos de centro-direita: | Elementos de centro/social: | Elementos pós-materialistas: |
|---|---|---|
| empreendedorismo; capital privado; PPPs; concessões; produtividade; redução da carga tributária; responsabilidade fiscal; valorização do mercado; inovação empresarial. | SUS; saúde mental; educação pública; transferência de renda; agricultura familiar; cooperativismo; políticas para mulheres; proteção ambiental. | inclusão produtiva; sustentabilidade; participação social; tecnologia; gênero; saúde mental; inovação; proteção ambiental. |
A bibliografia utilizada como base e critério de análise desta pesquisa alerta justamente que partidos e atores políticos podem combinar valores tradicionalmente associados aos diferentes polos ideológicos; por isso, classificações binárias podem produzir interpretações excessivamente simplificadoras.
14. O grande ponto forte e o grande ponto de atenção
Potenciais pontos fortes
- Tentativa de superar a polarização tradicional.
- Centralidade da educação e da saúde mental.
- Forte agenda de inovação tecnológica.
- Ênfase no empreendedorismo e na inclusão produtiva.
- Agenda ambiental associada à tecnologia.
- Preocupação com modernização institucional.
- Defesa de uma política externa pragmática.
- Atenção específica às mulheres e à violência de gênero.
Pontos que exigem maior escrutínio
- Pouca experiência política e administrativa direta.
- Ausência de histórico parlamentar próprio que permita verificar coerência entre discurso e votação.
- Algumas propostas tecnológicas ainda carecem de detalhamento operacional.
- A reforma do sistema político exige enorme aprofundamento constitucional.
- É necessário verificar como o programa enfrentará desigualdades raciais estruturais.
- É necessário saber como serão financiadas as numerosas políticas propostas.
- A ênfase no empreendedorismo precisa ser confrontada com a realidade de trabalhadores que não possuem capital, crédito, educação ou redes de proteção.
- A modernização da diplomacia deve preservar a profissionalização do Estado brasileiro.
15. Projeto de governo ou Projeto de Estado?
Esta talvez seja a questão fundamental para a presente eleição. Um projeto de governo organiza ações para quatro anos. Um projeto de Estado precisa responder a questões que ultrapassam um mandato:
- educação;
- ciência;
- tecnologia;
- defesa;
- diplomacia;
- infraestrutura;
- saúde;
- redução das desigualdades;
- sustentabilidade;
- segurança alimentar;
- desenvolvimento regional;
- equilíbrio federativo;
- soberania nacional;
- fortalecimento democrático.
A candidatura de Cury apresenta elementos que podem ser interpretados como tentativa de formular um projeto de longo prazo, particularmente quando propõe mudança do sistema de governo, transformação tecnológica, modernização administrativa e reposicionamento internacional. Mas o eleitor precisa distinguir intenção, proposta e capacidade de implementação.
16. A importância do Congresso Nacional
Nenhum presidente governa sozinho. É por isso que o eleitor não deveria escolher apenas o candidato à Presidência. Deveria também examinar: quem serão os deputados federais? Quem serão os senadores? Quais interesses representam? Que projetos apresentam? Quem beneficia suas proposições? Como votam?
A própria metodologia utilizada como referência neste artigo sustenta que a análise da atuação parlamentar permite compreender melhor a orientação ideológica e os públicos efetivamente atendidos pelos partidos.
Nesse sentido, a construção de um verdadeiro Projeto de Estado Brasileiro depende de uma combinação entre: Executivo + Congresso + Judiciário independente + sociedade civil + setor produtivo + trabalhadores + universidades + instituições democráticas.
17. Conclusão
A candidatura de Augusto Cury pelo Avante apresenta-se como uma tentativa de ocupar um espaço político situado entre a polarização tradicional da esquerda e da direita. Sua plataforma combina empreendedorismo, responsabilidade fiscal, inovação, tecnologia e participação do setor privado com políticas de educação, saúde mental, proteção social, meio ambiente e proteção das mulheres.
A partir dos critérios da bibliografia aplicada à este estudo, a classificação mais prudente é a de centro, com inclinação econômico-institucional para a centro-direita e presença significativa de pautas sociais e pós-materialistas.
Entretanto, existe uma diferença fundamental entre uma candidatura estreante e um político com trajetória parlamentar: Cury ainda não possui histórico legislativo próprio que permita ao eleitor comparar promessas e realizações. Portanto, o dado "projetos apresentados e aprovados" para Cury é objetivamente 0 apresentados e 0 aprovados, não porque tenha fracassado legislativamente, mas porque ainda não exerceu mandato parlamentar. (Agência do Brasil)
Por isso, este primeiro estudo deve ser entendido como análise técnica de uma candidatura e de seu programa, e não como recomendação de voto. O eleitor deverá confrontar, nas próximas análises, propostas, financiamento, coerência ideológica, públicos beneficiados, viabilidade fiscal, trajetória dos partidos, atuação parlamentar e capacidade institucional.
A pergunta democrática fundamental não é simplesmente "em quem devo votar?". É: "Que projeto de Brasil quero ajudar a construir e quais candidatos, partidos e representantes possuem maior coerência, competência, compromisso democrático e capacidade de realizá-lo?"
Referências
- BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
- CARREIRÃO, Yan de Souza. Identificação ideológica, partidos e voto para presidente. Opinião Pública, Campinas, v. 13, n. 2, 2007.
- DIAS, Márcio Ribeiro; MENEZES, Daiane Boelhouwer; FERREIRA, Gabriela. A quem serve o Graal? O público-alvo dos projetos de lei e a classificação ideológica dos partidos políticos. Civitas - Revista de Ciências Sociais, Porto Alegre, v. 12, n. 2, p. 209-235, 2012. É a referência metodológica principal utilizada neste artigo.
- INGLEHART, Ronald. Modernization, Cultural Change and Democracy. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.
- BOBBIO, Norberto. Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Editora UNESP.
- TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Informações sobre o Partido Avante e eleições 2026. TSE - Partido Avante
- AVANTE. Documentos e informações institucionais do partido. Avante 70 - Site Oficial
- CURY, Augusto Jorge. Programa de Governo - Eleições 2026. Documento apresentado à Justiça Eleitoral.
- AGÊNCIA BRASIL. Informações sobre a candidatura de Augusto Cury e o programa do Avante. Agência Brasil – candidatura Augusto Cury
- CÂMARA DOS DEPUTADOS. Sistema de proposições e votações parlamentares. Portal da Câmara dos Deputados