ELEIÇÕES 2026 E A CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO DE ESTADO PARA O BRASIL: UMA ANÁLISE TÉCNICA DO PARTIDO AVANTE E DA CANDIDATURA DE AUGUSTO CURY

Autor: Charles Alberto Barbosa de Souza 07 Set 2026
Eleições 2026 Análise Política Avante Augusto Cury
Eleições 2026 e a Construção de um Projeto de Estado para o Brasil

Resumo

Este artigo inaugura uma série de análises técnicas destinadas a oferecer ao leitor elementos objetivos de discernimento para a escolha eleitoral nas eleições brasileiras de 2026. O propósito não é recomendar candidatura ou partido, mas examinar propostas, valores, públicos beneficiários, orientação ideológica e concepção de Estado. O primeiro estudo concentra-se no Partido Avante e em seu candidato à Presidência da República, Augusto Cury. A análise utiliza como referência metodológica a classificação ideológica proposta por Dias, Menezes e Ferreira, especialmente a distinção entre valores associados à esquerda e à direita e a identificação dos públicos-alvo das proposições legislativas. Consideram-se ainda desigualdades econômicas, raciais e de gênero, meio ambiente, trabalho, empreendedorismo, relações internacionais, democracia e organização institucional do Estado.

1. Introdução: votar não é apenas escolher um governo

Em uma democracia constitucional, o voto não deveria ser compreendido apenas como manifestação de preferência pessoal por determinado candidato. Ele representa uma decisão sobre que projeto de sociedade, de economia, de instituições e de desenvolvimento nacional o eleitor considera mais adequado.

Por isso, uma eleição presidencial não deveria ser reduzida à pergunta "quem será o próximo presidente?", mas ampliada para questões mais profundas: que Estado queremos construir? Qual deve ser a relação entre Estado e mercado? Que papel terão educação, saúde, ciência, tecnologia e proteção social? Como enfrentar desigualdades históricas? Qual será a posição do Brasil no sistema internacional? Como preservar a democracia e as instituições?

A própria metodologia da bibliografia utilizada como referência neste estudo demonstra a importância de analisar a atividade política para além do discurso. Dias, Menezes e Ferreira propõem observar os valores efetivamente presentes nas proposições e identificar seus públicos-alvo, distinguindo entre universal, segmentos específicos, capital e trabalho.

Essa perspectiva é especialmente importante porque um candidato pode apresentar um discurso situado em determinada posição ideológica, enquanto suas propostas concretas apontam para outra direção.

Este é, portanto, o primeiro artigo de uma série, dedicada inicialmente aos partidos e candidaturas que ocupam posições de destaque no cenário eleitoral. Começamos pelo Avante e por Augusto Cury.

2. Uma ressalva metodológica indispensável: candidato não é parlamentar

Há uma questão técnica importante antes de analisar números. Augusto Cury não possui trajetória legislativa anterior. Ele estreia eleitoralmente em 2026 como candidato à Presidência pelo Avante. Portanto, não é metodologicamente correto atribuir-lhe projetos de lei apresentados ou aprovados anteriormente. A Agência Brasil confirma que esta é sua primeira disputa eleitoral e que sua candidatura pelo Avante foi oficializada em agosto de 2026. (Agência Brasil)

Registro objetivo

Indicador Augusto Cury
Projetos de lei apresentados pessoalmente antes da candidatura 0
Projetos de lei aprovados de sua autoria 0
Experiência parlamentar anterior Não possui
Experiência executiva anterior Não possui
Programa de governo apresentado Sim
Candidatura presidencial 2026 Avante - n° 70

A ficha eleitoral registra Cury como candidato a presidente pelo Avante, número 70, em sua estreia na política eleitoral. (Folha de S.Paulo). Consequentemente, a avaliação de sua candidatura não pode ser baseada em "realizações legislativas", mas deve ser feita sobre seu programa de governo, declarações públicas, trajetória profissional, concepção institucional e propostas apresentadas durante a campanha.

Quanto ao AVANTE, a situação é diferente: trata-se de um partido com representação parlamentar. Portanto, existe produção legislativa de seus deputados, mas seria metodologicamente inadequado somar automaticamente todas as proposições de parlamentares do partido e atribuí-las a Cury. O partido possui atualmente atuação parlamentar registrada na Câmara dos Deputados.

3. O Avante e sua posição no espectro político

O Avante é um partido relativamente recente em sua atual denominação, embora tenha origem no antigo Partido Trabalhista do Brasil. A Agência Brasil o caracteriza como uma legenda de centro, e o próprio TSE mantém o partido entre as legendas registradas. (Agência do Brasil)

Entretanto, uma classificação ideológica rigorosa não deve depender apenas da autodefinição partidária. A metodologia presente na bibliografia deste artigo propõe uma escala de cinco posições:

esquerda → centro-esquerda → centro → centro-direita → direita.

O estudo considera a incidência relativa de valores associados à esquerda e à direita nas proposições, admitindo que uma mesma proposta possa conter simultaneamente elementos dos dois campos. Aplicando adaptativamente esse critério ao programa de Cury e deixando claro que não se trata da reprodução estatística do estudo original podemos formular a seguinte hipótese: Avante/Cury: centro, com elementos de centro-direita na economia e na organização institucional, combinados com políticas sociais e ambientais de caráter universalista. Essa classificação deve ser entendida como analítica e provisória, e não como uma verdade absoluta sobre o partido.

Posição no espectro político e perfil econômico
Análise do espectro político e diretrizes do programa eleitoral

4. O perfil econômico: empreendedorismo, mercado e responsabilidade fiscal

Um dos aspectos mais marcantes do programa de Augusto Cury é a associação entre redução da pobreza, empreendedorismo, geração de renda, inovação e inclusão produtiva.

O programa prevê uma rede nacional de escolas de empreendedorismo, crédito para pequenos empreendedores, microempresas e startups, além de iniciativas voltadas à agricultura familiar, cooperativismo e desenvolvimento regional. (SBT News)

Essa orientação possui forte aproximação com valores classificados metodologicamente no campo da direita econômica, sobretudo: empreendedorismo; iniciativa privada; propriedade; produtividade; inovação; crédito; capital privado; concessões e PPPs; responsabilidade fiscal.

Ao mesmo tempo, o programa não abandona a dimensão social. Ele propõe mecanismos de transferência de renda, moradia, segurança alimentar, agricultura familiar, cooperativismo e inclusão produtiva. (SBT News)

Portanto, seria simplificador classificá-lo simplesmente como "liberal" ou "de direita". Uma formulação mais precisa seria: Uma proposta de economia de mercado com forte ênfase no empreendedorismo e na produtividade, combinada a políticas de inclusão social e geração de oportunidades. Essa característica aproxima a candidatura de um centro econômico pragmático com elementos de centro-direita.

5. Pobreza e desigualdade: igualdade de resultados ou igualdade de oportunidades?

Aqui encontramos uma das questões mais relevantes para o discernimento eleitoral. A metodologia aqui escolhida associa a esquerda a valores como sociedade, coletivismo, igualdade, redistribuição de renda, trabalho e estatização, enquanto associa a direita a economia, individualismo, liberdade, capitalismo, propriedade privada, capital, lucro e privatização. A proposta de Cury parece privilegedar principalmente a igualdade de oportunidades, mediante: educação; empreendedorismo; crédito; qualificação; inclusão produtiva; geração de empregos e inovação.

Isso é diferente de uma concepção centrada primordialmente em redistribuição direta de riqueza. O programa, por exemplo, defende a manutenção do Bolsa Família, mas associado a mecanismos de transição para emprego formal e empreendedorismo. (SBT News)

Avaliação técnica

Ponto positivo: procura articular proteção social e autonomia econômica.

Questão a ser observada pelo eleitor: até que ponto empreendedorismo e inclusão produtiva conseguem enfrentar desigualdades estruturais que não decorrem apenas da falta de iniciativa individual? Essa é uma pergunta particularmente importante quando se consideram desigualdades históricas de classe, raça, território e gênero.

6. Desigualdade racial

Neste aspecto, a análise exige cautela. Não seria tecnicamente correto afirmar que a candidatura ignora completamente a questão racial apenas porque não apresenta a mesma centralidade discursiva encontrada em candidaturas explicitamente orientadas para políticas de igualdade racial. Por outro lado, o eixo racial não aparece como elemento estruturante da identidade econômica do programa, pelo menos nas sínteses públicas consultadas.

Isso constitui uma questão relevante para o eleitor. Um projeto nacional de desenvolvimento precisa responder não apenas: "Como aumentar a riqueza?", mas também: "Como garantir que os ganhos de produtividade, renda, educação e patrimônio alcancem grupos historicamente prejudicados pela estrutura social brasileira?"

A metodologia utilizada na bibliografia deste artigo alerta justamente para a importância de identificar quem é o público efetivamente beneficiado pelas políticas, distinguindo entre universalização e segmentos específicos.

7. Mulheres, gênero e violência

Aqui o programa apresenta uma agenda mais explícita. Cury dedica uma seção específica à proteção das mulheres e propõe medidas relacionadas à violência e ao feminicídio. A documentação analisada identifica uma política pública específica de proteção às mulheres. (Agência Patrícia Galvão). Durante a campanha, também apresentou propostas envolvendo tecnologia, aplicativos e drones para aumentar a velocidade de resposta diante de situações de violência contra mulheres. (Folha de São Paulo)

Esse conjunto pode ser considerado pós-materialista segundo os critérios da bibliografia escolhida, uma vez que relações de gênero, inclusão, participação e direitos de grupos específicos estão entre os valores associados a esse eixo.

Contudo, há uma questão crítica: Tecnologia pode ampliar a capacidade estatal de proteção, mas não substitui políticas educacionais, culturais, jurídicas, econômicas e preventivas destinadas à superação das estruturas que produzem a violência de gênero.

Educação, Saúde Mental e Tecnologia
Desenvolvimento emocional, inovação tecnológica e sustentabilidade

8. Educação e saúde mental: o núcleo distintivo da candidatura

Provavelmente um dos elementos mais característicos da candidatura é a centralidade conferida à educação, saúde mental e desenvolvimento emocional. O candidato propõe programas de prevenção de ansiedade, depressão, automutilação, bullying e violência escolar, além de iniciativas relacionadas à formação de professores, empreendedorismo e inovação educacional.

Na saúde, seu programa inclui ampliação da telemedicina, fortalecimento da atenção primária, prevenção, saúde mental e diagnóstico precoce. (SBT News) Esse é um campo no qual Cury procura transformar seu capital profissional e intelectual em capital político.

Entretanto, para uma avaliação acadêmica, deve-se separar: trajetória profissional → proposta política → evidência de eficácia da política pública. O fato de alguém possuir experiência em determinada área não demonstra automaticamente que sua proposta será eficaz em escala nacional.

9. Meio ambiente: tecnologia, mercado e proteção ecológica

O programa apresenta uma dimensão ambiental significativa.

Entre as propostas estão:

O plano estabelece inclusive a meta de uma matriz energética com 90% de fontes limpas até 2040. (Eleições Presidenciais 2026)

Há aqui uma combinação interessante: preservação ambiental + tecnologia + mercado de carbono + geração de renda. Isso não corresponde a uma visão ambiental exclusivamente estatizante nem exclusivamente conservacionista. Trata-se de uma tentativa de conciliar economia, inovação e sustentabilidade.

10. Relações internacionais e soberania nacional

Este será um dos pontos que merece acompanhamento especial. O programa apresenta uma política externa descrita como ativa, equilibrada e pragmática, com defesa dos interesses nacionais e ampliação da influência brasileira nos fóruns internacionais. (Poly Apoio)

Cury também defende a modernização das embaixadas e uma diplomacia mais voltada à comunicação econômica, tecnológica e ambiental do Brasil. Em declaração pública, chegou a defender maior utilização de profissionais capacitados para comunicação digital e influenciadores em determinados contextos de promoção internacional do país. (Rádio Itatiaia)

Assim, se pode discernir potencialmente duas leituras. Leitura favorável: modernizar a diplomacia para a economia digital, utilizando novas formas de comunicação internacional. Leitura crítica: é necessário preservar a profissionalização, continuidade institucional e capacidade técnica do serviço diplomático brasileiro.

O programa também prevê relações estratégicas com diferentes países, inclusive China e Israel, em áreas tecnológicas e produtivas. (Folha de São Paulo) Isso sugere uma postura pragmática e não rigidamente alinhada a um único bloco geopolítico.

11. Reforma do Estado e semipresidencialismo

Talvez uma das propostas de maior impacto estrutural seja a defesa da transição para o semipresidencialismo. Cury afirma que o presidente deveria concentrar funções estratégicas, enquanto um primeiro-ministro assumiria a condução cotidiana do governo. A proposta foi apresentada oficialmente durante a convenção do Avante. (Agência do Brasil)

Também defende mudanças no STF, incluindo mandatos fixos para ministros. Essas propostas não são meramente administrativas. Elas alterariam significativamente o funcionamento da República. Por isso, o eleitor deveria perguntar:

  1. Qual seria o modelo constitucional concreto?
  2. Como seria escolhido o primeiro-ministro?
  3. Qual seria o poder do presidente?
  4. Como funcionaria a relação Executivo–Congresso?
  5. Como seriam evitadas crises de governabilidade?
  6. Quais seriam os mecanismos de controle democrático?

Quanto maior a transformação institucional proposta, maior deve ser o nível de detalhamento exigido pelo eleitor.

12. A quem serve o programa?

Aplicando o modelo da bibliografia escolhida, podemos elaborar uma matriz preliminar:

Área Público predominante Tendência
Empreendedorismo Pequenos empresários, jovens, trabalhadores Capital + trabalho
Crédito Micro e pequenos empreendedores Capital produtivo
Educação Público universal Universal
Saúde População geral Universal
Saúde mental População geral, estudantes Universal
Mulheres Mulheres vítimas de violência Segmento específico
Agricultura Agricultores familiares Segmento/trabalho
Amazônia Ribeirinhos e comunidades locais Segmento específico
Meio ambiente Sociedade geral + agentes econômicos Universal + capital
Tecnologia Empresas, trabalhadores e Estado Misto
Segurança População geral + forças policiais Universal + setor específico
Diplomacia Estado brasileiro e setores produtivos Universal + capital

A metodologia utilizada para o estudo realizado explica que o público universal corresponde a destinatários amplos, enquanto segmentos específicos podem indicar tanto representação legítima de grupos quanto eventual orientação clientelista sendo necessária análise do conteúdo concreto para diferenciá-los.

13. Afinal, esquerda, centro ou direita?

Considerando exclusivamente o programa apresentado e não uma trajetória legislativa inexistente, nossa classificação técnica preliminar seria:

AVANTE/AUGUSTO CURY: CENTRO, com inclinação de centro-direita na economia e elementos sociais/pós-materialistas relevantes.

Elementos de centro-direita: Elementos de centro/social: Elementos pós-materialistas:
empreendedorismo; capital privado; PPPs; concessões; produtividade; redução da carga tributária; responsabilidade fiscal; valorização do mercado; inovação empresarial. SUS; saúde mental; educação pública; transferência de renda; agricultura familiar; cooperativismo; políticas para mulheres; proteção ambiental. inclusão produtiva; sustentabilidade; participação social; tecnologia; gênero; saúde mental; inovação; proteção ambiental.

A bibliografia utilizada como base e critério de análise desta pesquisa alerta justamente que partidos e atores políticos podem combinar valores tradicionalmente associados aos diferentes polos ideológicos; por isso, classificações binárias podem produzir interpretações excessivamente simplificadoras.

Projeto de Governo x Projeto de Estado
Desafios estruturais e a construção de um Projeto de Estado sustentável

14. O grande ponto forte e o grande ponto de atenção

Potenciais pontos fortes

  1. Tentativa de superar a polarização tradicional.
  2. Centralidade da educação e da saúde mental.
  3. Forte agenda de inovação tecnológica.
  4. Ênfase no empreendedorismo e na inclusão produtiva.
  5. Agenda ambiental associada à tecnologia.
  6. Preocupação com modernização institucional.
  7. Defesa de uma política externa pragmática.
  8. Atenção específica às mulheres e à violência de gênero.

Pontos que exigem maior escrutínio

  1. Pouca experiência política e administrativa direta.
  2. Ausência de histórico parlamentar próprio que permita verificar coerência entre discurso e votação.
  3. Algumas propostas tecnológicas ainda carecem de detalhamento operacional.
  4. A reforma do sistema político exige enorme aprofundamento constitucional.
  5. É necessário verificar como o programa enfrentará desigualdades raciais estruturais.
  6. É necessário saber como serão financiadas as numerosas políticas propostas.
  7. A ênfase no empreendedorismo precisa ser confrontada com a realidade de trabalhadores que não possuem capital, crédito, educação ou redes de proteção.
  8. A modernização da diplomacia deve preservar a profissionalização do Estado brasileiro.

15. Projeto de governo ou Projeto de Estado?

Esta talvez seja a questão fundamental para a presente eleição. Um projeto de governo organiza ações para quatro anos. Um projeto de Estado precisa responder a questões que ultrapassam um mandato:

A candidatura de Cury apresenta elementos que podem ser interpretados como tentativa de formular um projeto de longo prazo, particularmente quando propõe mudança do sistema de governo, transformação tecnológica, modernização administrativa e reposicionamento internacional. Mas o eleitor precisa distinguir intenção, proposta e capacidade de implementação.

16. A importância do Congresso Nacional

Nenhum presidente governa sozinho. É por isso que o eleitor não deveria escolher apenas o candidato à Presidência. Deveria também examinar: quem serão os deputados federais? Quem serão os senadores? Quais interesses representam? Que projetos apresentam? Quem beneficia suas proposições? Como votam?

A própria metodologia utilizada como referência neste artigo sustenta que a análise da atuação parlamentar permite compreender melhor a orientação ideológica e os públicos efetivamente atendidos pelos partidos.

Nesse sentido, a construção de um verdadeiro Projeto de Estado Brasileiro depende de uma combinação entre: Executivo + Congresso + Judiciário independente + sociedade civil + setor produtivo + trabalhadores + universidades + instituições democráticas.

17. Conclusão

A candidatura de Augusto Cury pelo Avante apresenta-se como uma tentativa de ocupar um espaço político situado entre a polarização tradicional da esquerda e da direita. Sua plataforma combina empreendedorismo, responsabilidade fiscal, inovação, tecnologia e participação do setor privado com políticas de educação, saúde mental, proteção social, meio ambiente e proteção das mulheres.

A partir dos critérios da bibliografia aplicada à este estudo, a classificação mais prudente é a de centro, com inclinação econômico-institucional para a centro-direita e presença significativa de pautas sociais e pós-materialistas.

Entretanto, existe uma diferença fundamental entre uma candidatura estreante e um político com trajetória parlamentar: Cury ainda não possui histórico legislativo próprio que permita ao eleitor comparar promessas e realizações. Portanto, o dado "projetos apresentados e aprovados" para Cury é objetivamente 0 apresentados e 0 aprovados, não porque tenha fracassado legislativamente, mas porque ainda não exerceu mandato parlamentar. (Agência do Brasil)

Por isso, este primeiro estudo deve ser entendido como análise técnica de uma candidatura e de seu programa, e não como recomendação de voto. O eleitor deverá confrontar, nas próximas análises, propostas, financiamento, coerência ideológica, públicos beneficiados, viabilidade fiscal, trajetória dos partidos, atuação parlamentar e capacidade institucional.

A pergunta democrática fundamental não é simplesmente "em quem devo votar?". É: "Que projeto de Brasil quero ajudar a construir e quais candidatos, partidos e representantes possuem maior coerência, competência, compromisso democrático e capacidade de realizá-lo?"

Referências

  • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
  • CARREIRÃO, Yan de Souza. Identificação ideológica, partidos e voto para presidente. Opinião Pública, Campinas, v. 13, n. 2, 2007.
  • DIAS, Márcio Ribeiro; MENEZES, Daiane Boelhouwer; FERREIRA, Gabriela. A quem serve o Graal? O público-alvo dos projetos de lei e a classificação ideológica dos partidos políticos. Civitas - Revista de Ciências Sociais, Porto Alegre, v. 12, n. 2, p. 209-235, 2012. É a referência metodológica principal utilizada neste artigo.
  • INGLEHART, Ronald. Modernization, Cultural Change and Democracy. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.
  • BOBBIO, Norberto. Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Editora UNESP.
  • TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Informações sobre o Partido Avante e eleições 2026. TSE - Partido Avante
  • AVANTE. Documentos e informações institucionais do partido. Avante 70 - Site Oficial
  • CURY, Augusto Jorge. Programa de Governo - Eleições 2026. Documento apresentado à Justiça Eleitoral.
  • AGÊNCIA BRASIL. Informações sobre a candidatura de Augusto Cury e o programa do Avante. Agência Brasil – candidatura Augusto Cury
  • CÂMARA DOS DEPUTADOS. Sistema de proposições e votações parlamentares. Portal da Câmara dos Deputados

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